sexta-feira, 18 de julho de 2025

Governo Invisível - 1 & 2


O Governo Invisível

Ciro Moroni Barroso

Tribuna de Petrópolis

25/Abril e 02/Maio/1993 [notas, 1999]

O Governo Invisível é o título do livro de dois jornalistas e acadêmicos norte-americanos, Thomas Ross e David Wise, lançado em 1964, em seguida ao trauma do desaparecimento de John Kennedy. [1] O livro narra a história da criação, expansão e hegemonia da Agência Central de Inteligência (CIA) dentro dos negócios de estado norte-americanos. Criada em setembro de 1947 pelo Presidente Truman (democrata), junto com o Conselho de Segurança Nacional e o Departamento de Defesa, para auxiliar os dois últimos e o Presidente, fornecendo informações de política exterior, cedo a CIA se tornou um poder independente. A espionagem interna e externa ilimitada, o planejamento de golpes de estado em países do Terceiro Mundo, e a manipulação de fundos financeiros fabulosos, fizeram a fama da Agência nos anos 50 e 60. Em dezembro de 1963 seu criador, o ex-Presidente Truman, revelou em artigo de jornal o quanto estava "preocupado" com o modo pelo qual a CIA vinha “se afastando de suas atribuições originais” ao ser utilizada “para executar ações clandestinas em tempo de paz”.

[1] No Brasil, lançado com este título pela Civilização Brasileira, 1965

Entre 1947 e novembro de 1950, quando foi dirigida pelo Vice-Almirante Hillenkoeter, a CIA se ateve a seu papel constitucional de prestar informações estratégicas ao Executivo. O mesmo não aconteceu durante os anos 50, quando, depois de ter sido dirigida pelo General Walter B. Smith foi, em seguida (de 53 a 61), dirigida por Allen Dulles, diplomata, que fizera carreira no serviço secreto norte-americano na Suiça durante a Segunda Guerra. Durante os oito anos do governo Eisenhower (republicano), Dulles transformou a CIA num império com interesses políticos particulares, quando a articulação política e de inteligência da Agência se sobrepôs às funções do Pentágono (Dep. Defesa), do Conselho de Segurança, e finalmente da Presidência.

O império que resultou ao final dos anos 50 da aliança entre a CIA e as principais empresas norte-americanas, entre elas a Rand Corporation, a ITT, a ATT, o grupo Time-Life, a General Eletric, a Westinghouse, assim como a Standard Oil e o Chase Manhattan, do grupo Rockefeller, entre outros, é a origem do conceito de um “governo invisível” na vida política norte-americana. A aliança do Diretor da CIA, Allen Dulles, com Nelson Rockefeller, e com as diversas lideranças empresariais, foi uma consequência natural de serem todos eles membros do maior sindicato empresarial de todos os tempos, o Conselho de Relações Exteriores. Fundado em 1921 para dar coerência aos intereses políticos e empresariais da elite norte-americana, o Conselho de Relações Exteriores (um grupo privado, e não uma instituição de Estado) foi dirigido nos anos 20 e 30 pelo grupo de financistas Morgan (ver A Internacional Capitalista [2]). Allen Dulles, Foster Dulles, Nelson Rockefeller, estiveram no seleto quadro de diretores do CRE desde os primeiros tempos. Com a ascensão de Eisenhower à Presidência em 1953, a seu amigo pessoal Nelson Rockefeller é entregue o encargo de reorganizar a comunidade de inteligência para o novo governo. Na condição de principal liderança do CRE, na condição de liderança financeira e empresarial, na condição de liderança dentro do Partido Republicano, a figura de Rockefeller, ao assumir ainda mais a liderança dentro da rede de inteligência, dá bem a dimensão do poder real em formação que resultou no “governo invisível”. A partir de então, e durante todas as décadas seguintes, quase todos os Secretários de Estado, da Defesa, do Tesouro, os Diretores da CIA, e membros do Conselho de Segurança, são também, coincidentemente, membros do CRE, conforme nota Hugo Assman em A Trilateral. [3]

[2] René Dreifuss, Ed. Espaço e Tempo, 1986, RJ

[3] Como se Interpenetram o Conselho de Relações Exteriores, o Círculo Bilderberg, e a Comissão Trilateral, pag. 37. Vozes, 1986

Durante os anos da Guerra Fria, a política exterior norte-americana é marcada pela atuação de Foster Dulles, Secretário de Estado de Eisenhower, com suas doutrinas coloniais, agressivas e de confrontação com a União Soviética. No início dos anos 70, a Guerra Fria é substituída pela détente do Secretário de Estado Kissinger, que fizera carreira no CRE, como secretário particular de N. Rockefeller. Nos anos 70, a CIA ainda está patrocinando golpes de estado com ajuda empresarial, a exemplo do golpe contra Allende em 1973, com a ajuda da ITT.

No campo político interno, a força do Conselho de Relações Exteriores se mostra com a fundação, em 1973, da Comissão Trilateral, para administrar a vida política dos empreendimentos capitalistas norte-americanos, europeus e nipônicos. Idealizada por David Rockefeller e Zbigniew Brzezinski a partir do grupo secreto de consultas internacional Bilderberg, o qual era por sua vez uma criação do CRE, a Comissão Trilateral começou a trocar, desde o início, simpatias mútuas com o jovem Governador democrata do Estado da Georgia Jimmy Carter, o qual havia tomado a iniciativa de abrir escritórios comerciais de seu Estado na Europa e no Japão. Quando da eleição de 1976, é o candidato democrata que os trilateralistas decidem apoiar, e não o candidato republicano. Jimmy Carter se elege, e vários de seus assessores diretos são do CRE e da Trilateral, entre eles o Vice, Walter Mondale, Brzezinski, Assessor de Segurança Nacional, Cyrus Vance, Secretário de Estado, etc.

No campo internacional uma das consequências da política do governo invisível, a formação de um Império Norte-Americano das Comunicações, é sentida no Brasil através de um exemplo muito conhecido. Num livro de 1969, lançado no Brasil com este título, [4] o autor Herbert Schiller mostra como, no intuito de vender as imagens da sociedade de consumo para todo mundo, empresários e governantes dos Estados Unidos se ocuparam, desde os anos 50, em criar redes de televisão em diversos países, como extensão das principais redes norte-americanas. No Brasil, a escolhida pelo grupo Time-Life para receber “assistência técnica e financeira”, transgredindo ou modificando as leis nacionais, foi a TV Globo, que se transformou com isto em rede nacional. O sucesso da TV Globo não resulta, portanto, conforme o mito corrente, dos méritos da livre iniciativa empresarial, mas sim, conforme afirma Schiller, com antecedência nos Estados Unidos, da “infusão de dólares”. [5]

E insustentável se torna também o mito dos Estados Unidos como uma pátria de autêntico liberalismo...

[4] Original Mass Comunication and American Empire, Beacon Press, 1969. Edição brasileira, Vozes, 1976

[5] Ibidem, pags. 97/98. Este autor se baseia em R. Tyler, Television Around the World, Television Magazine, Out. de 1966; em E. Blum, Brazil’s Yankee Network, The Nation, 29 de Maio de 1967; citando ainda Variety, 14 de junho de 1967, pag. 45.


O Governo Invisível - 2

Tribuna de Petrópolis

09/Maio/1993 [notas 1999]

A invisibilidade do poder secreto norte-americano está em que ele jamais é descrito ou referido como tal nos meios de comunicação. Aquilo que o Governo Invisível é, seu rosto metálico e tecnocrático, se faz entretanto extremamente visível todos os dias: basta ligarmos o aparelho de tevê no canal de maior alcance nacional. O fato de que o Governo Invisível nasceu de uma expansão política da CIA durante a gestão de Allen Dulles nos anos cinquenta deu início a uma interpretação errônea, permanente, de que a CIA seria, até hoje, o centro de todo o poder secreto norte-americano.

Quando tomou posse em janeiro de 1961, John Kennedy herdou, da administração Eisenhower, a operação já em andamento da invasão de Cuba, que ficou conhecida como a invasão da Baía dos Porcos, organizada pela CIA. Kennedy deu luz verde à operação clandestina, ordenando simplesmente que o Pentágono ou quaisquer outras forças militares oficiais se mantivessem afastadas da operação. Depois do fracasso da operação, sob a responsabilidade Allen Dulles, e com os conflitos internos que se seguiram, Kennedy ordenou uma completa reformulação da Agência Central de Inteligência. Dulles ainda ficou no cargo de Diretor da Agência até setembro de 61. Substituído, consta que se tornou rival de Kennedy.

A crise devida ao fracasso da Baia dos Porcos deu origem à imagem de um Kennedy liberal e defensor da legalidade democrática, que teria sido eliminado por uma uma CIA conspiradora e ultra-conservadora, o que não corresponde exatamente às revelações que se tornaram agora disponíveis. Kennedy se elegeu defendendo o crescimento da indústria armamentista, ao contrário de seu antecessor Eisenhower, que era republicano e General, e que fez seu discurso de despedida alertando para os perigos na demanda insaciável do establishment militar-industrial. Para substituir Dulles na CIA, e para agradar aos conservadores, que o acusaram de falta de iniciativa diante de Cuba, Kennedy nomeou John A. McCone, que era empresário conservador, defensor da linha dura contra a União Soviética, e membro do Conselho de Relações Exteriores. Victor Marchetti, que ocupava um alto cargo na CIA, e que se tornou dissidente em 1969, insiste em entrevista a Le Nouvel Observateur em 1975, em que a CIA de McCone não teria motivos para matar Kennedy. Segundo Marchetti, que escreveu um livro (A CIA e o Culto da Inteligência [6]) denunciando as operações clandestinas e assassinatos políticos da Agência, McCone “adorava” Kennedy, porque ele era “um Presidente muito duro, agressivo”, que ordenara várias ações clandestinas no Vietnã e em outros países do Terceiro Mundo.

A CIA de McCone não teria motivos para fazer o atentado contra Kennedy, o que não quer dizer que quadros da Agência, remanescentes da administração anterior, não possam ter sido usados para o feito. O recente filme do diretor Oliver Stone sobre o atentado, deixa claro como parte da rede da CIA, em associação com a Máfia, a Polícia de Dallas, etc, participaram do complô. A razão para o atentado não poderia ser uma simples disputa na orientação política do governo norte-americano, devendo ser necessariamente uma questão crucial, e necessariamente envolvendo o Governo Invisível, que se sentiu ameaçado por Kennedy, e que seria a única estrutura capaz de “bancar” o atentado. Governo Invisível que a esta altura crescera muito além de sua estrutura inicial baseada na CIA de Allen Dulles.

O crescimento do Governo Invisível se deu em vários sentidos, cujo histórico está começando a se tornar conhecido hoje em dia, mas cujo relato é espinhoso, e até perigoso. Um aspecto importante é revelado pelo autor norte-americano George Andrews (Extraterrestrials Among Us [7]), quando assinala que Allen Dulles (que estabeleceu o acordo de rendição com os alemães, na condição de chefe do serviço secreto americano na Suiça) integrou grande parte da rede da derrotada "Gestapo" (segundo Andrews; mais provavelmente os SS) no processo de formação da CIA, “sem o conhecimento dos cidadãos norte-americanos”. Este aspecto vem à tona de maneira sintomática no filme de Oliver Stone, quando um agente da CIA, no filme o ator Donald Sutherland, faz revelações pessoais ao Promotor que reabrira as investigações sobre o atentado ao Presidente. Lembrando os bons tempos em que os espiões eram patriotas que ajudavam alegremente a derrubar republiquetas pelo mundo afora, o ator Sutherland abre um sorriso patético, e comenta que antes o fascismo – “estava lá fora”, mas que “agora, está aqui mesmo, dentro da América”.

[6] Original The CIA and the Cult of Intelligence, Knopf, N.Y., 1974. Publicado no Brasil pela Nova Fronteira.

[7] Llewellyn Publications, St. Paul, Minnesota, 1986, pags. 147, 154. O Autor refere-se à cooperação entre Reinhard Gehlen e Allen Dulles, o que deve significar diversos grupos de inteligência, incluindo os S.S. e S.D., além dos grupos de pesquisa científica avançada, não necessariamente ligados à Gestapo (Polícia). Dulles tornou-se Diretor da CIA somente em 1953 (Vice-Diretor em 51). O General Reinhard Gehlen, membro do Estado Maior alemão, um dos melhores especialistas de inteligência da S.S., anti-comunista, arquiteto da ação militar no front russo, foi convidado por Truman, junto com seus homens, a ingressar na CIA em 1947. Posteriormente fundou e dirigiu o ramo alemão da CIA na Alemanha Ocidental (utilizando seus velhos arquivos sobre os russos do tempo da S.S.), até 1967, quando se aposentou, indo morar numa bela mansão que lhe foi presenteada na Bavária.
Matrix III, Valdamar Valerian, 1992, LEADING EDGE RESEARCH, Yelm, Washington State.
V. Valerian é o pseudônimo do Capitão John Grace, ex-membro do AIR FORCE OFFICE OF SPECIAL INVESTIGATIONS, um grupo de inteligência e pesquisa de alta tecnologia da Base Aérea de Kirtland, Novo México. Como civil, ele fundou o LEADING EDGE RESEARCH, que distribui as coletâneas de documentos Matrix, que são cópias amalgamadas de textos que incluem textos de inteligência, jornalísticos, científicos, e de depoimentos civis sobre os projetos secretos de alta tecnologia e controle político. Alguns dos textos civis são anônimos, enquanto que algumas interpretações políticas estampadas parecem demasiado fáceis. Os textos jornalísticos entretanto, assim como as intepretações científicas, são bastante consistentes.

É curioso como, depois do atentado, Allen Dulles é chamado para compor a comissão que fará as investigações sobre o mesmo, junto com Earl Warren, Presidente da Suprema Corte, e Gerald Ford, Presidente do Congresso, por nomeação de Lyndon Johnson. A idéia de que o atentado a Kennedy é devido a alguma razão nebulosa e inexplicável permanece até hoje (depois que a apresentação de Lee Oswald como bode expiatório foi desmascarada), o que é bem sinal da influência desse poder “invisível”, que articulou o golpe de estado interno de novembro de 1963 nos Estados Unidos



Governo Invisível - 3 & 4


O Governo Invisível – 3

Ciro Moroni Barroso

Tribuna de Petrópolis

23 / Maio / 1993 [revisão e notas, 1999]

Um acontecimento significativo, que mostra como foi intensa a luta de bastidores na formação do poder secreto norte-americano, é o ingresso, em 1957, do Almirante Hillenkoeter, primeiro Diretor da CIA, no NICAP, um comitê de cientistas e oficiais da reserva dissidentes, que faziam uma pesquisa independente sobre os discos voadores, em desafio à política oficial de sigilo a respeito. Os discos voadores haviam sobrevoado Washington na madrugada de 19 de julho de 1952 e, por causa disso, diversos oficiais da Aeronáutica haviam decidido que era tempo de abrir a questão ao público. Quando estavam prestes a fazê-lo no final de 1952 (com Eisenhower já eleito), a CIA interveio, ordenando aos militares segredo-máximo. O conceito de ufos, como um objeto exótico e imponderável, passou a ser vendido às Forças Armadas, ao mundo acadêmico, e ao público, através do Painel Robertson, do Relatório Condon, e do Livro Azul.

O ingresso de Hillenkoeter, que fôra o primeiro Diretor da CIA de 1947 a 1950, durante a fase constitucional da Agência, num grupo de militares dissidentes, era embaraçoso para a cúpula norte-americana naqueles bons tempos de macartismo, porque equivalente aos processos de dissidência no mundo soviético. Hillenkoeter e o NICAP dirigiram-se ao Congresso em 1960, denunciando o sigilo imposto dentro da Aeronáutica sobre os discos voadores. Uma investigação parlamentar foi aberta, com uma apreciação dos dados do NICAP, mas não tardou para que Hillenkoeter fosse silenciado, e o Congresso afastado da questão, com o parlamentar Brooks, que conduzia as investigações, adoecendo e falecendo subitamente.

A questão dos discos voadores, desde então, têm-se mantido tão imponderável quanto o próprio “governo invisível”: muitos sabem a respeito, mas ninguém tem a coragem de falar abertamente. Depois da fase em que as consequências da presença de visitantes estrangeiros em nosso planeta foram administradas pela CIA, durante os anos 50 e 60, a questão foi passada para outras instituições menos conhecidas dentro do sistema de governo secreto, tais como o Escritório Nacional de Reconhecimento (NRO), e a gigantesca Agência Nacional de Segurança (NSA). Se existe o risco de se subestimar o papel da CIA na montagem do poder internacional norte-americano, o risco também existe de se superestimar o papel da mesma diante de outras organizações bem mais ricas, complexas e poderosas, que vieram a constituir o “governo invisível”.

Sem fanfarras, sem conhecimento público, sem comentários na imprensa, a poderosíssima NSA foi criada por Truman no dia da eleição presidencial de 4 de novembro de 1952, que levou ao poder o General Eisenhower. A necessidade de se manter a discrição e afastar a curiosidade dos jornalistas, que marcou toda a vida da Agência de Segurança Nacional, foi o motivo da escolha daquela data para sua fundação, de modo que possíveis comentários sobre o fato se perdessem no noticiário eleitoral. Ao ser fundada, apenas um punhado de pessoas dentro do governo ficou sabendo de sua existência. Até 1982 a NSA era uma coisa completamente desconhecida para os cidadãos norte-americanos. Neste ano um scholar, James Bamford, publica um longo e primeiro ensaio sobre a Agência, revelando seu histórico e seus sistemas complexos de espionagem eletrônica mundial, com o título de The Puzzle Palace.

A NSA foi criada para fazer a escuta e interpretação de toda e qualquer telecomunicação, civil ou militar, estratégica ou trivial, a nível de todo o globo planetário. Em 1964 essa tarefa era cumprida através de um rede de mais de duas mil estações interceptadoras espalhadas em todo o mundo, e essa rede foi ampliada consideravelmente com os satélites em órbita. Ela tem por tarefa, além disso, fazer a análise e resumo das informações coletadas, a serem repassados aos orgãos governamentais. Nada menos que 40 toneladas de papéis são emitidos pela NSA diariamente, o que resultou certa feita numa cena cômica, quando o governo tentou incinerá-los, construindo especialmente um forno na Florida (a sede da Agência é em Fort George Meade, Maryland) que acabou dando um colapso, desencadeando uma operação militar. Segundo Bamford, em 1978, mesmo depois de cortes efetuados com o fim da guerra do Vietnã, a NSA controlava cerca de 70.000 funcionários, todos com expresso juramento de sigilo. A Agência tem uma Universidade própria para a formação de seus quadros, com 18.000 alunos. Nos anos 80 a dotação da NSA era de 2 bilhões de dólares anuais, oficialmente.

Tomando-se como referência os dados apresentados por Marchetti e Marks em seu A CIA e o Culto da Inteligência, dados que devem referir-se ao ano de 1972 ou 73, num orçamento total de cerca de 6,230 bilhões de dólares para a comunidade de inteligência norte-americana, a CIA teve um orçamento na ordem de 750 milhões; a DIA (Agência de Inteligência da Defesa) de 200 milhões; a inteligência da Marinha 600 milhões; a inteligência do Exército 700 milhões; a inteligência da Aeronáutica 2,700 bilhões, o que inclui o orçamento do NRO com mais de 1,500 bilhões; e a NSA 1,200 bilhões; além dos orçamentos menores do FBI, da inteligência do Departamento de Estado (Relações Exteriores), da inteligência da Comissão de Energia Atômica, e da inteligência do Tesouro. [8] [9]


[8] Segundo Marchetti (numa das passagens de seu livro inicialmente censuradas pela Suprema Corte, em função de apelações judiciais da CIA), “A inteligência da Aeronáutica é maior organização de espionagem em toda a comunidade de inteligência, com 56.000 empregados e um orçamento anual [1973] de cerca de 2,7 bilhões de dólares. A maior parte desta última cifra vai para pagar os satélites de reconhecimento, extremamente dispendiosos, e os foguetes necessários para colocá-los em órbita. Uma parte separada da inteligência da Aeronáutica, o Escritório Nacional de Reconhecimento [NRO] opera estes programas de satélites para todo o mundo da inteligência, e o orçamento do NRO é superior a 1,5 bilhões de dólares anuais. O NRO trabalha com tanto sigilo que sua própria existência é sigilosa. Por muitos anos, seu Diretor foi um misterioso Coronel da Aeronáutica (posteriormente General-de-Brigada) chamado Ralph Steakley, que se reformou nos primeiros anos da década de 70, para empregar-se na Westinghouse, [atuando como] um empreiteiro-de-defesa, que vende bastante equipamento ao NRO.” A CIA e o Culto da Inteligência, Victor Marchetti e John D. Marks, Nova Fronteira, (1974), pags. 78 e 86, 87.

[9] Bamford cita declarações de Marchetti e Marks no sentido de que, ao tomar posse na Direção da CIA em 1966 (governo Johnson), Richard Helms mostrou-se “frustrado por sua falta de real autoridade dentro da comunidade de inteligência”. De acordo com estes autores, em declaração a seus subordinados, Helms afirmou que “conquanto que ele, como Diretor de Inteligência Central, fosse teoricamente responsável por 100% das atividades de inteligência da nação, ele de fato controlava menos que 15% das provisões da comunidade – e a maior parte dos outros 85% pertenciam ao Departamento de Defesa (Pentágono) e ao Estado Maior das Forças Armadas”. Esta parte militar do orçamento inclui o da NSA.

De acordo com o Comitê de Inteligência do Senado (1975), citado por Bamford, “Pela aferição de orçamento, o indivíduo mais influente (na comunidade de inteligência) é o Diretor da NSA, quem, incluindo sua atribuição dual como Chefe do Serviço Central de Segurança, administra o mais volumoso programa isolado contido no orçamento de inteligência nacional.” The Puzzle Palace, Penguin Books, 1982, pags. 16-19.

Ao se tomar o orçamento de 1973 apresentado por Marchetti (pag. 78, op. cit.), a dotação do NRO (mais de 1,5 bilhões) seria contudo maior que a dotação da NSA (1,2 bilhões). Deve-se levar em conta nesses números, as mudanças de políticas e de divisões orçamentárias ao longo de cada período administrativo, além de que, mesmo no caso de Marchetti, que fôra alto oficial .do Gabinete do Diretor da CIA de 1966 a 1969, as informações obtidas são estanques. Além disso, o Congresso não controla de fato todas as dotações orçamentárias, havendo dotações não-oficiais, cooperação das agências com as empresas, dotações privadas provenientes das empresas, do mundo financeiro, dos clubes de poder, etc.

Quanto à NSA, de acordo com Bamford, “a despeito de seu tamanho e poder, entretanto, nenhuma lei jamais foi estabelecida proibindo a NSA de se engajar em qualquer atividade. Existem apenas leis que proíbem a distribuição de qualquer informação acerca da Agência. E conclui: “Além de estar livre de quaisquer restrições legais, a NSA tem capacidades tecnológicas de espionagem de telecomunicações para além da imaginação”. O pesadelo de George Orwell ocorrendo na América, porém bem antes de 1984.

 

O Governo Invisível – 4

Tribuna de Petrópolis

13 / Junho / 1993

Os leitores terão notado o recente noticiário sobre um relatório da CIA para o Brasil, com verificações um tanto óbvias acerca da instabilidade do governo Itamar. As conclusões são resultado de análises feitas por especialistas acadêmicos em assuntos latino-americanos e essas análises não significam, a princípio, nenhuma postura clandestina da Agência, que parece ter-se tornado mais bem-comportada, reduzida em suas funções, cumprindo meramente seu papel inicial de coletar informações úteis para o Executivo norte-americano. O que é estranho, de qualquer forma, é que a divulgação do relatório sugere uma postura de intimidação e advertência de Tio Sam para com a nação brasileira, que se encontra ainda sob sua esfera de influência estratégica. O militares brasileiros, como se sabe, andam furiosos com esse tipo de coisa, ao contrário do alinhamento automático que adotavam há vinte e cinco anos. Um detalhe importante é saber como e porque o jornal O Globo foi o escolhido para divulgação exclusiva desse relatório.

Philip Agee, que trabalhou na CIA até 1969, quando se tornou dissidente, conclui seu relatório pessoal sobre a Agência, Dentro da Companhia”: Diário da CIA [10], cuja edição a Agência tentou retardar e cortar, afirmando que: “As comissões de investigação do Congresso podem, se o desejarem, iluminar todo um escuro mundo de watergates no exterior, durante os últimos 30 anos... A questão fundamental é passar das operações da CIA às razões pelas quais elas se deram – o que levará, inexoravelmente, a questões de ordem econômica: preservação de relações de propriedade e de outras instituições sobre as quais repousam os interesses de nossa própria e privilegiada minoria.” Ele revela ainda que Jim Noland lhe confidenciou em 1964, depois de ter-se tornado o chefe do escritório da CIA para o Brasil em Washington, que “O Brasil é o problema mais sério que temos na América Latina, mais sério na realidade que Cuba desde a crise dos mísseis”.

[10] Civilização Brasileira / Círculo do Livro, 1976, pags. 325, 366. Original: Inside the Company: CIA Diary, 1975.

Mas isto foi no tempo em que a CIA estava no auge de seu pode de espionagem e ação clandestina para a derrubada de governos no terceiro mundo demasiado independentes ou revolucionários, o que era justificado pelo fato de que estes governos poderiam cair sob a esfera de influência da União Soviética, dentro do estrito xadrez estratégico da Guerra Fria. Em 1967, por exemplo, a seção latino-americana da CIA tinha um orçamento de 37 milhões de dólares, somente para despesas de rotina. Em 1962, uma comissão de parlamentares brasileiros descobriu que o escritório da Agência no Rio de Janeiro havia gasto entre 12 a 20 milhões de dólares com candidatos conservadores e pró-americanos nas eleições recém realizadas. Ned Holman, chefe do escritório da CIA em Montevidéo, revelou a Agee que a Agência havia participado decididamente na derrubada de João Goulart, com o escritório do Rio de Janeiro “financiando demonstrações de massa contra o governo”. O planejamento político e as campanhas publicitárias para a derrubada de Goulart foram iniciados antes da eleição de 1962.

A mesma coisa aconteceu no Chile em 1964, na disputa entre Allende e Frei, quando a CIA “gastou vários milhões de dólares para fortalecer os partidos de direita e comprar votos contrários ao candidato socialista.” Phillip Agee trabalhava nesta época no escritório de Montevidéo, através do qual os escudos chilenos foram passados, e revelou que o dinheiro era tanto, que ele gastou um dia inteiro para contar. A mesma coisa aconteceu no Irã, na Indonésia, no Equador, na Guatemala, no Laos, no Vietnã, em Chipre, e em incontáveis situações pelo mundo afora. Em todos estes casos, houve sempre uma política ambígua, com o Departamento de Estado (isto é, a diplomacia) afirmando “jamais interviremos no mundo livre”, ao mesmo tempo em que os agentes da CIA se mantinham atarefados com as intervenções. Exemplo disto foram as reiteradas afirmações de Kissinger, de que jamais os Estados Unidos teriam “feito baixezas” no Chile, depois de ter sido ele próprio quem tomara as iniciativas contra Allende, em seguida à ascensão democrática deste ao poder em 1970. Segundo Victor Marchetti, Kissinger é “um notório trapaceiro”, que jamais mereceu o Prêmio Nobel.

De qualquer forma, quaisquer que tenham sido os méritos da justificativa dessa política clandestina face à expansão da União Soviética, o fato é que foram os países do terceiro mundo os grandes perdedores da batalha da confrontação “fria” entre as duas super-potências. Em poucas oportunidades, os países atingidos pelas conspirações da CIA estavam realmente se inclinando para a União Soviética. Em muitos casos, buscavam autonomia real diante de ambas as super-potências.

É fácil, portanto, compreender porque governos tais como o de Itamar Franco são tão frágeis: isto é resultado de décadas de solapamento e destruição de políticas nacionalistas mais decididas, e não de uma fragilidade ou incompetência intrínsecas de brasileiros ou outros terceiro-mundistas. Quanto ao poder constitucional norte-americano, ele é igualmente frágil e vítima de uma síndrome de impotência diante de poderes não-constitucionais mais fortes. Kennedy e Carter, que foram relativamente independentes, pouco ou nada puderam fazer. Clinton, certamente, não irá muito além de exibir sorrisos e cortes de cabelo para o distinto público.

A História e o Milênio













Holloman Air Force Base Arizona 1957


Tribuna de Petrópolis, Dezembro 05/06, 2000
Jornal de Petrópolis, Novembro 11, 2000

Ciro Moroni Barroso

É lenda que ao final do primeiro milênio a humanidade esperava o cumprimento de profecias bíblicas. Por que um número redondo de mil anos haveria de comover o super-Deus autocrático do monoteísmo judaico-cristão em seu ajuizamento? Seria bastante etnocêntrico o privilégio desta data, na medida em que outros povos - muçulmanos, hindus, chineses, toltecas - contavam outros números para os séculos de seus calendários. Povos que ainda desafiavam a hegemonia teológica etnocêntrica européia com a pluralidade de seus Deuses, os quais se propunham a outras funções que não julgar os humanos.

Historiadores, recentemente, contestaram a tese da expectativa profética ao fim do primeiro milênio, demonstrando que ela ocorreu, de fato, na virada do ano 1500. Pode-se dizer que as profecias, naquela época, realmente se cumpriram: revelações, descobertas, o mundo medieval sendo posto em questão, uma nova era secular se definindo claramente. Com o sentido de "grande revelação", o Apocalipsis se cumpriu na transição renascentista, quando a própria autoridade religiosa do etnocentrismo europeu foi em seguida posta em Juízo...

A descoberta da redondeza prática da Terra correspondeu à descoberta da redondeza simbólica das outras culturas terrenas com suas variantes espirituais e religiosas. Passados 500 anos, a humanidade se encontra mais uma vez exatamente nesta situação de mudança cultural em larga escala, sem que, em nenhuma parte, nenhuma fonte, científica, religiosa, pedagógica, jornalística ou de representação política, seja capaz de dizer em que consistirão as mudanças e de que maneira se apresentarão.

O cenário para esta próxima transição da cultura global está já bem definido, mas a consistência ao nível político do velho modelo de realidade ainda é muito forte para ser constestada. Tal como na Renascença, aqueles que pretendem mostrar as brechas no sistema da cultura, da ciência, da religião, trazendo informações sobre novas possibilidades de experiência, são tratados como hereges, dissidentes sociais, passando pelo filtro da difamação suas performances individuais. Informações corretas e verificadas são lidas apressadamente, com graves deformações preconceituais, por profissionais de imprensa e por acadêmicos, tomados por uma ansiedade em preservar uma linguagem e uma descrição da realidade já historicamente, documentalmente, ultrapassadas; mas ainda requeridas para a validação dos papéis sociais e profissionais.

Este articulista mesmo, nesta mesma cidade, já por várias vezes distribuiu releases, ou deu entrevistas, enfatizando o caráter anti-especulativo, anti-esotérico, anti-místico, com que devem ser tratadas informações que são originais em relação ao bloco de cultura ocidental prevalecente. As matérias a respeito, invariavelmente, aparecem em seguida enfatizando uma abordagem mística, imaginária, etc. Há uma outra descrição da realidade, mas a tradição ocidental de crítica e análise racional, de filosofia e ciência, deve ser novamente enfatizada.

Um breve repertório sobre os novos conhecimentos é suficiente para se apreender o grau de mudança implícita, assim como a necessidade de se esclarecer o público a respeito, da maneira mais sóbria:













Galáxia NGC 1512


1) Desde o início do século, descobertas e inventos sensacionais do cientista Nikola Tesla em eletromagnetismo foram mantidas num circuito fechado de grandes corporações e do sistema militar secreto dos Estados Unidos. Estes inventos, se compartilhados com o público, provocariam uma revolução no modelo industrial. Alguns exemplos são a emissão de ondas eletromagnéticas estacionárias ou de valor puramente escalar, que permitem a emissão de energia à distância, um fantástico alcance em telecomunicações, e um uso destrutivo bélico à distância.

2) Da mesma forma, as descobertas do cientista Wilhelm Reich permitiram a emissão de energia vital à distância, de modo que se pode dar saúde ou adoecer pessoas ou populações. Pode-se ainda interferir no meio ambiente, provocando-se secas, inundações, terremotos, etc (Programa HAARP no Alaska). Estas descobertas foram mantidas em segredo pelo sistema secreto dos E.U. para uso militar, e Reich foi perseguido e difamado.

3) Técnicas que associam a emissão e captação de energia vital (Radiônica), campos eletromagnéticos, e a captação e emissão de ondas mentais de indivíduos dotados permitiram que a CIA criasse programas (MK-Ultra, Montauk) para a influência mental à distância, induzindo certos comportamentos em populações-alvo ou certas idéias fixas (mórbidas) em indivíduos escolhidos ou incômodos.

4) Desde os anos 80, diversos membros dos sistemas secretos militares e de inteligência dos Estados Unidos têm vindo a público em postura de dissidência, revelando estes e outros segredos, alertando a respeito da formação de um estrato para-estatal elitizado desde o pós-guerra no Ocidente através das grandes casas financeiras e corporações industriais, em associação com o sistema de inteligência (CIA, NSA, DIA, NRO, etc). Este bloco faz uma política hegemônica muito mais decisiva que a dos governantes institucionais, de modo que a descrição da sociedade norte-americana em termos constitucionais, cristãos, liberais, mercadológicos, se torna mero jogo de cena.

5) De acordo com estes dissidentes, cerca de 3000 membros do sistema de inteligência e cientistas de projetos avançados alemães durante a Segunda guerra foram automaticamente transferidos para a criação da CIA (1947). Entre estes projetos estava o da nave discoidal anti-gravitacional Haunebau, o famoso trunfo secreto nazista para vencer a guerra, que decolava com a inversão do campo magnético natural terreno, mas que não chegou a ter solução técnica adequada para uso militar ofensivo: a variação das polaridades magnéticas atômicas criava invisibilidade (descrição dos foo-fighters durante a guerra aérea), mas também defasagem na continuidade molecular da matéria, impedindo a artilharia.



Galáxia NGC 2442


6) Aos desenvolvimentos de Tesla e dos projetos alemães juntou-se tecnologia obtida com extraterrenos para a criação de uma nave anti-gravitacional já nos anos 50, nas mãos do sistema militar secreto, sem o uso de foguetes e antes que a NASA existisse. Estes extraterrenos não correspondem à nossa evolução humana, mas conseguiram se entender com os militares, oferecendo tecnologia em troca de um tratado de silêncio e de bases subterrâneas (Novo México) para que eles desenvolvessem experiências genéticas com amostras biológicas nossas. Estes et.s sofrem de degeneração orgânica, têm má aparência, e sequestram pessoas para suas experiências, o que deu origem à imagem negativa sobre et.s, verdadeira, mas parcial, diante de outros contatos amistosos e de forma humana. A imagem negativa, infelizmente, é a única propalada pela "Ufologia" e por Hollywood.

7) Aurora, a nave interplanetária do sistema secreto decola semanalmente desde o final dos anos 50 de sua base na Área 51 no Nevada, para a instalação e colonização de bases secretas na Lua e em Marte. Esta é a razão pela qual a NASA não vai à Lua desde 1972 e para as reclamações decepcionadas dos astronautas dos vôos Apolo.

8) Todas estas descobertas tornaram já há muito obsoletas as máquinas de propulsão por queima de combustíveis, mas a tecnologia inferior é mantida devido aos interesses econômicos, o que resulta em poluição ambiental e perturbações climáticas. O presidente John Kennedy, ao tomar posse em 1961, tentou modificar estes fatos, criando a NASA para a pesquisa civil e tentando desmembrar a CIA, que era ainda apontada como gerenciadora dos enormes fundos internacionais do tráfico de cocaína.

9) O isolamento da cultura terrena e o modelo biológico da vida foram definitivamente rompidos também nos anos 50 e 60 pela aproximação de extraterrenos do tipo humano. Através do presidente Kennedy e de outros contatos, eles fizeram propostas para uma manifestação global e advertências sobre os outros et.s oportunistas. Seus contatos e advertências não deram certo porque sofreram severa oposição do sistema secreto que perderia suas prerrogativas com a mudança dos parâmetros oficiais. Esta situação se mantêm até hoje, com uma formidável tensão de bastidores diante de sua inexorável revelação, já tantas vezes adiada.

10) Segundo estes extraterrenos, a raça humana que conhecemos tem origem galáctica, sendo eles nossos parentes esquecidos. A razão para o esquecimento foi o Dilúvio Atlante e o Dilúvio de Noé, na verdade cataclismas artificiais provocados por uma alta civilização, e sua remanescente, que se auto-destruíram, resultando em nosso isolamento. O problema do "contato" para eles não é assim de ordem técnica para "chegar" à Terra, mas antes o problema ético de como abordar uma cultura primitiva e insegura como a nossa.

11) Estes seres professam uma unidade cósmica e divina de todos os viventes, não exatamente de acordo com nossas versões teológicas e religiosas. Segundo eles, a recondução de nossa civilização a um modelo galáctico altamente evoluído é fato consumado a curto prazo. Isto explica e decodifica a fundação cristã, o papel educacional e profético, mas não religioso, de Jesus, e sua promessa de um Novo Tempo espiritual, com a vinda do "Filho do Homem": esta imagem feita por Jesus pode ser lida como a chegada física de alguém com a forma humana, o descendente da forma humana na Galáxia.

12) Isto não é para invalidar a existência dos seres divinos além da condição humana. Segundo a cultura galáctica, Jesus é realmente um instrutor desta humanidade, que evoluiu na forma humana no sistema pleiadeano, alcançando este ser neste momento uma expressão de máxima realização, ainda na forma humana. Segundo fontes orientais, Jesus é um importante instrutor entre outros. Seus ajudantes celestiais realizaram sua reanimação depois de arrastado e pregado à cruz romana, dando origem ao mito religioso da Ressurreição. Seu percurso foi registrado pelos budistas até morrer idoso na Cachemira, onde seu túmulo sagrado é visitado por devotos. (vide: Nicolai Notovitch, La vie inconnue de Jesus Christ, 1894)


Galáxia NGC 7.331 e mais 5 galáxias vizinhas. Todas as estrelas visíveis pertencem à nossa galáxia.


Acadêmica - 1


Cientista James MacDonald

Desde os anos 60, alguns poucos cientistas, como o Decano do Instituto de Física Atmosférica da Univ. do Arizona, dr. James McDonald, têm sacrificado suas vidas e carreiras para tentar efetuar um merecido "avanço da Ciência", o qual tem sido mantido desde os anos 50 em perfeito estado de Veto Obscurantista e Inquisitorial...


James E. McDonald foi um dos cientistas de peso que denunciaram as manipulações do Painel Robertson (CIA-USAF, 1953) e Relatório Condon (Univ. do Colorado, 1966), que foram tentativas fraudulentas, e mal dissimuladas, para se abafar os depoimentos de vários oficiais da Aeronáutica dos EUA, e depois de vários cientistas, sobre a movimentação dos “discos-voadores” nos espaços atmosféricos do habitat terreno... Como crise institucional, o processo atravessou 15 anos, com a CIA se intrometendo na Força Aérea, a Casa Branca alheia, a NASA sendo apontada como a instituição responsável pela “questão científica”, a ONU mostrando interesse, os civis ianques organizando comitês de pesquisa dissidentes da versão oficial, e a NASA não aceitando ficar com o “peixe”, segundo o prof. McDonald.

O Físico McDonald fez exposição na Sociedade dos Editores de Jornais em Washington, em abril de 1967, e na ONU em junho seguinte, denunciando as pressões contra os cientistas sérios. Havia ficado claro que o Relatório Condon era resultado de uma encomenda feita a um cientista inescrupuloso e a soldo da CIA. McDonald defendia a tese de que os “ovnis” eram o “maior problema científico de nosso tempo”. McDonald e outros cientistas usavam a expressão “ovni” como resultado de depoimentos positivos da Força Aérea e seus pilotos, que estavam sendo censurados. Porém, eles estavam longe de propor alguma tese inicial de interpretação. A questão foi parar numa Audiência no Congresso em 1968, proposta pelo N.I.C.A.P., que só foi aberta depois de várias censuras, e na qual McDonald, e o dr. Allen Hyneck, deram seus depoimentos. Em 1971 McDonald, segundo a versão policial registrada, teria se suicidado com uma pistola... que não possuía. [1]


[1] Gulliver, 1992, R.J., 1999, cap. XXII, nota [2]; e cap. IX

Os termos “explicação científica”, “fenomenológico”, “casuística”, etc, são utilizados dentro de um jargão pop-caricatural, devidamente repisado pela mídia corporativa para promover, de fato, uma pseudo-ciência. A pseudo-ciência é o próprio encobrimento dos relatórios da Força Aérea, de Keyhoe, Ruppelt, McDonald, Hynek, etc. O termo eufemístico e nebuloso “ufo” foi lançado em consequência do Painel Robertson e do Livro Azul, programas da CIA (com suas típicas torções linguísticas).

O termo “fenômeno-ufo” foi replicado e patenteado pelo cientista profissional Jacques Valée, num arroubo de provincianismo precoce: Gulliver, 1992, cap. XXI.

É claro que se há “seres” capazes de interferir no Sol com corpos maiores que a Terra... Estes não poderiam ser apenas “inteligências”, ou civilizações “extraterrestres”, mas habitantes de camadas, ou dimensões, superlativas em relação a nós. Por sua vez, as civilizações humanas avançadas observam a vida na Terra desde sempre... Estas circunstâncias não se provariam por meio de alguma ciência de “objetos”...
Certamente, em ambas as hipóteses, deveríamos procurar por depoimentos históricos sobre “o que existe”... As aparições não poderiam ser Fatos Isolados.


Cientistas

Os Cientistas desfrutam de uma posição curiosamente sacerdotal em nossa sociedade. Recebendo bons salários, e tendo carreiras garantidas pelo Estado em cada país, os Cientistas Profissionais, quase sempre, com exceções, não se sentem obrigados a fornecer esclarecimentos à sociedade sobre suas "pesquisas" luxuosas, a não ser de modo casual e diletante. A realidade eclesiástica dos Cientistas está muito distante da realidade do "homem comum", de modo que não é necessario, nem condizente, dar explicações detalhadas ao vulgo. E é assim que os Homens-de-Ciência, quando são chamados a emitir veredictos sobre "problemas científicos que afetam a sociedade" ... têm seus veredictos consumados como atos de pura autoridade jesuítica... [2]



radiant-tesla

free-energy.ws

johnbedini.net

 

 

Cientista Profissional

Nos anos de 1920 e 30 uma compreensão ampla do eletromagnetismo por parte de Nikola Tesla, e descobertas na hidrodinâmica, feitas por Viktor Schauberger, abriram perspectivas para uma Física não entrópica e não gravitacional, conforme os modelos vigentes desde os sécs. 19 e 17. A atração dos corpos seria consequência de uma composição específica de harmônicos (desenhos estáveis ressonantes) dos campos EM, sendo a levitação uma simples inversão dos mesmos. Subjacente ao que seria o “vácuo”, encontra-se no universo uma camada energética [uma camada de sustentação, conforme a tradição estóica: veja-se Diógenes Laércios; VII. 148] que é capaz de oferecer fluxo energético infinito: desde de que o cientista saiba como “abrir” este fluxo. Nas emissões de ondas eletro-magnéticas, além da oscilação latitudinal dos vetores elétricos e magnéticos ao longo do pulso de onda, conforme previsto na equação de Maxwell, haveria um valor escalar de carga sendo transmitido junto com o pulso, o equivalente a uma “partícula de energia”...

Para os estudantes de Física as questões estão resumidas no texto de Tom Bearden (e Leslie Pastor) em seu sítio Cheniere.org [obs: descartado]. Observe-se a intensa pressão que os “cartéis de energia” e a casa financeira Morgan exerceram sobre os cientistas da época, Tesla, Edison, Hertz, etc. Todos os autores nesse campo, e isso nunca será enfatizado o suficiente, deixam claro o quanto a energia elétrica teria produção, e consumo, a baixíssimo custo em comparação com a produção entrópica, com enormes barragens e fiação, até hoje utilizada.

Tom Bearden, John Bedine, e dezenas de outros cientistas nas últimas décadas, assim como Tesla e Schauberger, são exemplos de dedicação sincera à “causa da Ciência”, no sentido humanista de se resolver problemas reais, de se obter um conhecimento útil do Universo -- por oposição à aquela conhecida dedicação científica exclusiva ao carreirismo honorífico & salários, malabarismos retórico-teóricos & badalações promocionais... característica dos individualismos competitivos dos quadros de classe-média pós-modernizados.

Em 2008, o cientista profissional-promocional Oliveira, achou por bem descaracterizar, insultar, a pessoa do Físico Tom Bearden, quando o sítio Cheniere.org lhe foi apresentado... ao invés de se dedicar a entender minimamente aquele enredo que fascina tantos outros homens bem mais ponderados e sérios do que ele é ...

estoicismonagrecia.blogspot.com/2025/07/academica-2


Viktor Schauberger

youtube/search=Schauberger

google/search=Schauberger




Deliberate Discard of Asymmetric Maxwellian Systems
cheniere.org/articles/Deliberate Discard

In the hard physics literature, rigorous proof that eliminating the arbitrary Lorentz symmetry condition provides systems having free additional energy currents from the vacuum is given by M. W. Evans, P. K. Anastasovski, T. E. Bearden, Classical Electrodynamics without the Lorentz Condition: Extracting Energy from the Vacuum, Physica Scripta, Vol. 61, 2000:

It is shown that if the Lorentz condition is discarded, the Maxwell-Heaviside field equations become the Lehnert equations, indicating the presence of charge density and current density in the vacuum.

So eerily, more than a century ago and along with its very birthing, our “modern” classical electrodynamics and electrical engineering science was deliberately mutilated and crippled, specifically so that COP>1.0 and self-powering electrical systems – asymmetrically powering loads extracted from “free EM wind energy flows” from the vacuum/space itself – would never be known or developed by our electrical engineers.

We must quickly correct and update the electrical engineering model that was so deliberately “fixed” at Morgan’s command. And we must unleash our sharp young professors, doctoral candidates, and post doctoral scientists to quickly research and develop new asymmetrical Maxwellian systems that finally – after more than a century of delay – utilize the full extent of Maxwell’s 1865 quaternion-like theory prior to the 1880s and 1890s mutilation of it after Maxwell was already dead.














Os fotogramas do Lasco C3 de 04 a 19 de dezembro de 2014 foram apagados pelos funcionários científicos, depois de disponíveis por alguns dias. Nestes dias, o Corpo Azulão se manteve consistentemente ao lado do Sol, girando na mesma velocidade do satélite observador (e da Terra) em torno do Sol...
No dia 20, os fotogramas voltam a ser apresentados, mas o Corpo Azulão não está mais lá. O Sol emite uma monumental rajada de plasma neste dia... Rajadas intensas durante todo o período 2013/2014.


Um Dia Movimentado no Sol em Outubro 2011














No dia 01 de outubro de 2011, um cometa se aproxima do Sol, enquanto um solitário disco-voador de tamanho incalculável era surpreendido pela câmera do Lasco C.2...














Às 18:12 o cometa Soho-2143 está prestes a se chocar com o Sol (círculo branco)















Logo após o impacto do cometa, o Sol emite uma violenta rajada...
A rajada sai na direção oposta ao impacto do cometa: devido a sua massa irrisória, o cometa não seria a causa desta emissão...


quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Saudades de San Pedrito























Página de 27 de Julho de 2016

São Pedro da Serra, Sétimo Orgulhoso Distrito da Paz do Universo, porém
invadido por humanóides










São Pedrinho Não Merece
Nos anos 90 muitos colegas e camaradas atentos se reuniam em San Pedrito Friburguense, tentando organizar uma certa cultura comunitária, a qual deveria ser, igualmente, uma “cultura de resistência” ante a avanço implacável do capitalismo selvagem e do controle mental exercido pelo monopólio globo & associados.
Naqueles anos as palestras foram muitas, com gente honesta tentando trazer para os conhecimentos de história e ciências aquelas informações que apontavam uma realidade "alternativa", ou para uma "nova era"... Ou seja, durante uns dez anos nós conseguimos afastar esta cultura opinativa e deslumbrada, de esoterismo-pop e auto-complacência...
Entretanto, quando menos se esperava, vieram as hordas da auto-ajuda e as claques egocêntricas de artistas-turísticos, invadindo em massa a paisagem do lugarejo, já outrora destinado a “toda paz do universo”...!



Largo do Estrela (praça blaudt)












Eis que as hordas [que desejam boa gastronomia] e a claque artística desletrada [que para eles trabalha] trazem sua anti-cultura para São Pedro da Paz do Universo: Embrulham seu imaginário provinciano de espectros mal identificados por sobre os conteúdos históricos de incontáveis civilizações de humanos afáveis, muito bem educados, e com milhares de anos de experiência;
[Veja-se como exemplo o pretensioso auto-repórter da self-ajuda Joãozinho, que não entendeu "nada" a respeito dos programas secretos em Marte.]
Como guris arrogantes, atribuem o conteúdo pop-neurótico das "pesquisas-ufo" que estão em suas mentes de belzebús-da-midia, justamente a todos aqueles que neutralizaram esta campanha ufológica esotérica e de auto-ajuda complacente promovida pela fanfarra alienante da mídia escravagista -- à qual vocês servem como Carneiros...





Basel, em agosto de 1566:
"Por várias horas"...









Nos anos 90 parecia muito mais natural se levar as novas descobertas universais para as assim chamadas culturas “alternativas”, ou para possíveis organizações cívicas, do que tentar apressadamente encaixá-las num quadro acadêmico, institucional, de resto desejável em outros contextos. As informações mais relevantes sobre nossos visitantes estelares, alienígenas para uns, extraterrestres para outros, foram censuradas em função do quadro militar, estratégico, de inteligência secreta. Portanto, bem além do que as instituições de Estado e Acadêmicas poderiam “suportar”...
Todos aqueles que estavam em São Pedrinho ao final dos anos 90 estavam perfeitamente cientes deste quadro: descobertas naturais, cosmológicas e decisivas deveriam ser passadas ao público a despeito do veto e resistência na cultura oficial...
Foi depois do ano 2.000, com a nova safra dos turistas do tipo alternativo-displicente, que se instalaram as versões esotéricas-ufológicas nos jornaizinhos minimalistas... e até hoje, com alta produção de axé & farra e forró & pudins de churrascos açucarados.




Yoran 2003









Diálogos de Oscar Magocsi com Argus
oscarmagocsi.com/books

15 Jul / 1980 – Manhattan
“Ah sim, nós todos estamos cientes dos desejos dos amigos que são bastante merecedores,” respondeu Argus. “Nós encontraremos o jeito e a oportunidade, embora não seja assim tão simples. Existe um milhão de outros amigos assim em torno desse mundo que são dignos de serem considerados para contatos. No meio tempo nós temos que lidar com milhares de atividades e questões militares, políticas, de meios de comunicação e da oposição numa escala global na medida em que elas se apresentam, isso para não mencionar a logística interdimensional e diversos outros fatores. E contudo há apenas um punhado de nós designados aqui, enquanto que as coisas vão se tornando cada vez mais agitadas. Mas nós vamos tentar fazer o melhor para todos aqueles amigos pesquisadores.”

11 Mar / 1982 – Key West, Florida
“A Operação Fim do Mundo – Primeira Fase está completa”, Argus continuou. “Todo o pessoal aqui logo estará indo para casa, de modo que possam estar de volta em setembro desse ano para a Fase Dois. Eu aqui estou me referindo à mais pesada frota jamais reunida próximo ao planeta Terra. O propósito foi o de contrabalançar a deformação exercida pela atração gravitacional cumulativa do alinhamento planetário, conhecida como Efeito Júpiter.
“Coordenada pelo Comandante Spectron, o representante não oficial dos Guardiães junto à Federação – esta operação de contrabalanceamento foi um projeto conjunto da Federação, com a participação de muitas centenas de naves completas com pessoal operador entre especialistas vindos dos mundos mais afastados.
“Além disso, a crise do Efeito Júpiter vai durar até meados de 1984. Por uma questão de sorte para os de vocês, o Conselho dos Guardiães decidiu comprar um pouco mais de tempo para o Planeta Terra, sendo esta a razão para a presença da Frota da Federação para o contra-efeito parcial. Contudo, o fim inevitavelmente está chegando – não o fim do mundo, mas o fim de uma era – o que significa um momento qualquer a partir de meados dos anos 80 em diante, mas o mais tardar antes que este século esteja terminado.”

Esu Kumara, 05 Fev / 2005
“Bem, de fato, a Terra não teve um bom desempenho nesses últimos 26.000 anos, e haveria mesmo de retroceder um grau, porque seu progresso foi muito pobre. Caso seus amigos inter-espaciais não tivessem feito uma intervenção logo após a 2a guerra mundial, o planeta teria feito um deslizamento, ao girar em órbita, e muito pouco da vida teria sobrevivido. A Terra (com isso) teria necessidade de que nova vida fosse semeada, o que incluiria, provavelmente, corpos novos para suas aventuras evolucionárias.”
























E aqui em nossa terra, eu procuro alguns dos colegas
de 35 na Espanha. É como se fosse um filme, insano e correto.
Das espadas gaulesas, do bronze latino. Da ordem constituída
das cerâmicas em preto e branco no Louvre,
nos jarros do quinto século antes da Era.
O que seria para eles o quarto século das Olimpíadas.
Ancestrais que renascem. Nos museus da academia de Portugal,
o Tempo Infinito foi posto a julgar. Sucessão dos gritos
que clamavam pelo humano. Os Senhores da Terra
se acautelaram, articularam estados e repartições.
Promoveram duas guerras na Europa.

Em seguida, a procissão dos artistas do romântico espatifado.
Belvedere de Buñel. Bombas de arte no comércio.
Depois, sonâmbulos. Nossa Academia
novamente foi Igreja. Os artistas passaram a trabalhar
sob contrato, os sambistas pertenceram a categorias.
Nossos heróis foram pré-moldados. Postos
em órbita a girar.





















Poderosas labaredas solares e mutações no Astro afetam enormemente o equilíbrio da Terra em órbita. Por milagre o mundinho terráqueo se mantêm rodando, com todo seu Axé! Como se realiza este milagre?? A numerosa quantidade de corpos artificiais fotografados pelos satélites-NASA "tomando conta" de Apolo mostra que há "curadores" -- quem serão?
Os terráqueos deveriam se mostrar mais agradecidos, ou atenciosos, por não terem sido jogados "no espaço"...

Desejando adentrar o Rio Bonito. Nadei, nadei, nadei,
numa garganta. Quase sem ar, com um chamado,
que vinha da caverna de água. Seriam as vozes do Pan,
de uma outra época dentro da Terra?
Buscando trilhas nas antigas florestas, os Incas nos chamaram.
Nunca pensei que ficaríamos tanto tempo rastreando
o que seria um território. Tentando subir num trem da canção
os trilhos da Serramar. Ainda se pode retornar ao início, em 1990.
São Pedro, depois Boa Esperança, descendo ali na praça do alemão
em Lumiar. Depois voltei ao primeiro povoado, renovado,
já irreconhecível. Uma chance de 10 anos. Comando Galáctico.
Um pedaço de tempo, deitado nesta terra. Regressando
com o novo feixe que foi emitido, e agora está chegando,
desde o Sol Central. A girar na Galáxia.
Uma história santa.




















As toadas que traçamos no Tempo sempre voltaram,
nunca nos faltaram, memoráveis canções de umas troupes.
Das criações que tivemos. E, das heranças,
foram muitos baús recuperados, outros, naufrágios.
Choupanas, pousadas, pijamas.
Desde uma outra noite, nesta mesma noite,
hermanita italiana, você está comigo. Na memória, nada falha.
Mensagens em sínteses de lendas. Vultos de tempestades
que pairam, nas encostas dos montes, à espera,
para um dia se projetar ao mundo. A procissão das promessas
a cavalo, retornando, refazendo o leito da estrada rural.

Não há beatniks, nem mesmo em aldeias,
mas há retratos, entrevistas na rádio da cidade.
Conversas atentas na redação de pequenos jornais.
Exilados de regresso, sem mostrar documentos.
Bailes para mulheres dançar. Uma canção andante,
com mil escudeiros. Tropas dispersas prontas para subir
cada recanto da serra do mar. Uma festa do vinho.
Cânticos de Roma, contra as canções que fomos trazendo.

[Ciro Moroni Barroso, Música das Pedras, 2012]



quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Agenda Uruguaya


As Reuniões de Pauta Mínima
Para se passar a limpo o atual quadro político nacional, para se atravessar francamente o verão fascista tropical que se anuncia, com roxas intempéries, o mais recomendado seriam reuniões de pauta mínima [também: reuniões uruguayas] = Para esta estação, seriam encontros residenciais de cerca de dez pessoas que, antes de mais nada, están muy aburridas... e precisam desabafar todo este calorão.
Contudo a experiência histórica indica que para as turbulências fascistas, o melhor é a reflexão cautelosa sobre a História Recente, e as análises ponderadas, de baixa temperatura e pouco volume-de-som. Todas as experiências à la mussoline são improvisações rápidas, que se auto-derretem. O provável “novo-regime” estará no auge de sua ascensão, com o máximo de contradições com a sociedade real, em seis meses, a partir desta data.... Em 12 meses haverá crise política, governamental. (Já com 3 meses, o general Mourão vai confidenciar à nação que Eles não têm um programa econômico definido.) [Porém antes, ou logo após, o Natal, o gen. Mourão vai ter que substituir o Capitão-Tenente-Exaltado = mas isso já é outra Estória!]
Portanto, as reuniões de pauta mínima devem preparar os cidadãos para o período a partir de Out/Nov-0019, quando provavelmente a sociedade brasileira estará retornando às condições mais ou menos desfrutadas em 0012.

governo-washington.blogspot.com





Museu Português em Santíssimo Sacramento.









Em 1680 uma expedição comandada pelo militar português Manuel Lobo, governador do Rio de Janeiro, fundou o entreposto/fortificação mercantilista de Colônia do Santíssimo Sacramento, do lado do estuário do Rio da Prata próximo à saída das águas do Rio Uruguay. Do outro lado, a 50 km, estava a colônia espanhola de Buenos Aires. Já nos primeiros 6 meses de fundação de Sacramento, os espanhóis tentaram expulsar militarmente os portugueses do que seria território da coroa espanhola. Em 1681 foi assinado um tratado provisório que permitia aos portugueses operar comercialmente sua fortaleza naval, mas não expandir território.


A Definição da Pauta Mínima:
A Pauta Mínima para o presente momento nacional é a redefinição dos partidos político-eleitorais, de suas funções e objetivos. A primeira instância da atividade cívica dos partidos não deveria ser dirigida às eleições e aos cargos públicos. Muito antes dessa instância ser realizada, os partidos deveriam ter diálogos frequentes e diretos com a sociedade, através de ass.s moradores, sindicatos, jornais, ass.s pais/alunos... e principalmente nas sedes dos partidos. Nesse caso, antes de serem siglas [cartórios] eleitorais, os partidos deveriam se organizar em Frentes: são as Frentes que buscam o cidadão onde ele está desorientado; que propõem as cartas e programas... [não “ideologias” = um termo muito sujo!!].
Não faz sentido que o PT, PSOL, PCdB, PDT sejam divididos, quando a proposição política e econômica é quase a mesma, no sentido do que fatalmente precisa ser realizado na prática: o controle da ação do capital dos bancos e empresas internacionais sobre nossa economia, sobre nossas empresas regionais; defesa de um assistencialismo mínimo e promoção social para os pobres em geral; realocação da população em excesso das metrópoles para territórios nos rincões, com a implantação de agrovilas, pequenas indústrias.
A apresentação das teses majoritárias na sociedade deve ser feita pelas agremiações mistas, supra-partidárias. Ainda incluindo PCB, PCO, PSB, J. Vicente & possíveis outros [não p/Marina; não p/PSTU]... Esta é a mais importante atividade política, cívica, “de esquerda”, que está sendo desperdiçada a cada novo período de estabilidade... E a cada novo período de turbulência.

A Pauta Mínima assim se define como necessidade objetiva, não como "escolha afetiva":

I) Antes das Eleições, e para que aqueles que serão eleitos para os cargos públicos possam ter eficácia, é necessário que os políticos pertençam a entidades cívicas primárias, que esclareçam diretamente nas comunidades qual o significado das doutrinas, dos programas políticos e governamentais; qual o significado do poder do Estado, do poder das companhias multinacionais e bancos; qual o poder dos meios de comunicação; qual o significado de “Brasil”, “desenvolvimento econômico”, “justiça social”, qual o significado da classe política, etc, etc.
E assim os termos assumidos do “esquerdismo”, as diversas concepções de ativismo, precisam ser esquecidos, para que possam ser reassumidos.
II) É a partir desse patamar que as campanhas para vereadores e deputados est.& federais, senadores, devem ser lançadas, de modo que os parlamentares se tornem de fato a “voz do povo”, mas também aqueles que levam para as camadas sociais as proposições governamentais, o papel das elites, da classe política, dos meios de comunicação, generais, juízes.
Nesse caso, para as campanhas parlamentares, os partidos tais como estão definidos, PT, PSOL, PCdB, PDT, etc, manteriam suas definições e regionalidades naturais, segundo o âmbito de uma federalização. Sem dúvida efeitos de rivalidades e “tribalismo” seriam previsíveis, mas facilmente superados por compromissos éticos. [*]
III) O Povo pensa no “governo” como um Rei: seria uma instância que poderia/deveria resolver tudo. A classe média vive de ciúmes e desconfianças sobre os poderes do Rei Imaginário. A Burguesia sabe que não é nada disso, o Governo sofre muitas pressões. Os Lobbies imperialistas fazem todo tipo de jogo de pressão sobre as elites nos países médios, Brasil, Argentina, México.
Assim, é no quadro das eleições para os Executivos que a proposta da frente, federalização das siglas atuais, se mostra mais necessária. Para se evitar o tipo de “perigo” demagógico e aventureiro, de que já temos tanta notícia!!... As frentes devem ter somente Um candidato: responsável, respaldado, com programa. Para cada Prefeito em cada Município, para cada Governador em cada Estado, somente um candidato deve ser escolhido... Seja em Brasília, ou no menor município, somente candidatos de frentes partidárias coerentes têm chance de apresentar projetos e formar secretariados, ministérios, com suporte político a longo prazo. As personalidades eleitas nominalmente têm que começar tudo a partir da posse. [**]

[*] Exemplo de “Frente” foi a reunião PSD/PTB em 1955 que elegeu Kubitschek; e também o PMDB da Redemocratização anos-80 foi uma frente de partidos reais e regionais. Ainda, o PT que elegeu o Inácio em 2002 era um frentão.

[**] Tipicamente, num Município desarticulado, uma vedete ganha uma eleição na sorte-grande. A partir do mandato de Prefeito, seu partido se constitui; todos querem ser presidente do partido, ou candidato a Vereador, para seguir carreira junto ao novo líder prefeito-vedete. O Partido vive em função das vitórias eleitorais, e dos cargos que são oferecidos. Exatamente essa têm sido a inversão dos valores, e assim para todos os partidos.



Ao longo de todo o séc. 18 os espanhóis cercaram várias vezes, invadiram e tomaram dos residentes a cidadela mercantilista, para depois, novamente, devolvê-la aos portugueses, em função de tratados e acordos das coroas de Castela e Lisboa. Os portugueses não poderiam fundar uma “colônia”, apenas comerciar. Em 1750 foi assinado o Tratado de Madri, em que a coroa espanhola cedia aos portugueses as terras das Missões Jesuíticas do Guaranís no Rio Gr. do Sul, em troca do Enclave de Santíssimo Sacramento. Mesmo depois deste Tratado, as duas potências navais sul-atlânticas continuaram disputando o promontório encantado até 1817...
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Os Projetos de Pauta Mínima
O Projetos nacionais de Pauta Mínima seriam uma coleção de uns 10 a 12 projetos básicos que deveriam estar sendo maciçamente enfatizados ao longo do tempo... por uma frente única capaz de fazer destes critérios uma cultura política popular, e uma orientação para as lideranças burguesas e nas classes-médias esclarecidas, estudantes, jornalistas, professores, juristas, oficiais militares nacionalistas.

1) A política financeira-econômica dos grandes bancos internacionais, nos diversos países, determina infinitamente mais as “condições de mercado e trabalho” do que é suposto nos discursos técnicos e políticos sobre o mercado e o trabalho. É o controle, ou influência, por parte dos financistas, das condições de emissão da moeda, e dos papéis, bônus, etc, em série, que produz na economia social, real, de um país, a impressão de “estagnação”, sub-desenvolvimento, produtividade insuficiente, arrecadação insuficiente por parte do Estado. Da sociedade se exige sempre mais; mais produção para cobrir as bolhas inflacionadas sistemáticas implícitas nas emissões de moeda e papéis:
Nos EUA as emissões monetárias são acompanhadas de bônus do tesouro, que servem de início como lastro: papéis, que designam dívidas do Estado, que servem de lastro para emitir outros papéis, que servem de lastro para emitir outros papéis [ou digitações], indefinidamente...!!! Ninguém se escandaliza em que a economia norte-americana trabalha com um déficit estatal de trilhões, ao passo que, se Brasil ou Argentina apresentarem déficits republicanos... Serão imediatamente açoitados, como se os Estados devessem ser empresas com superávit primário (para também emitir seus papéis)...
O linguajar incessante sobre “taxas de crescimento”, “desenvolvimento econômico”, apenas serve para justificar a extração da mais valia que o setor improdutivo da sociedade... obtém sobre os setores produtivos. O termo “o Mercado” jamais poderia significar o “mercado” financeiro, o qual é antagônico aos interesses do comércio das empresas pequenas, médias, regionais, etc.
Os bancos internacionais são os acionistas das super-multinacionais, com seus gerentes anônimos.
É claro que a solução, sempre ofuscada, é a emissão do Real, lastreado na produção brasileira...!! Entretanto, o discurso imperialista quer fazer crer que só a Riqueza financeira [papéis, moedas infladas] pode trazer mais “riqueza”, “investimentos”, não o trabalho.
A Petrobras, p.ex., não teria necessidade de emitir “ações na bolsa de nova iorque” para “obter mais recursos”. Este foi um expediente para interferir na Petrobras... A Petrobras poderia, inclusive, descontar parte de sua lucratividade, vendendo a gasolina barateada para o cidadão, e mantendo ligeiro superávit. Recebendo os investimentos do Estado, quando necessário; ou dando presentes de sua lucratividade ao orçamento federal.

2) O Estado Nacional poderá investir quantas vezes quiser em nossa própria produção, com moeda nacional. Todo o discurso sobre “dar mais empregos” quer significar apenas “dar mais verbas para empresários”, de modo que somente empresários possam “dar emprego”...!
Assim como o Estado realiza seu assistencialismo financeiro para as empresas nacionais, regionais, assim o Estado pode e deve estabelecer um assistencialismo direto à população, dando oportunidade para a criação de micro-empresas, pequenos comércios e oficinas. A simples oferta monetária às famílias cria aquecimento do mercado local, municipal.
Acima de tudo, empresas estatais precisam ser criadas e “dar emprego”, isto está sendo censurado no discurso politico.

3) Há muito já se deveria ter estabelecido no Brasil os projetos para a interiorização das populações (carentes ou não) dos aglomerados urbanos: este é um problema número-1 para qualquer discussão de criminalidade, sanitarismo, saúde social.
Por certo, o Estado Nacional teria condições de implantar (dez anos de prazo) vilarejos em todos os rincões, com agricultura [subsistência ou comercial]; e pequenas indústrias, artesanatos [de consumo local, ou para comércio]. Assim como fez tantas obras faraônicas, o executivo nacional, com todas suas empresas devidamente associadas, precisa criar essas povoações, com praças e jardins, coretos, escolinhas, etc. [É preciso um super-Ministério]

A Fortaleza dos portugueses ocupava um polígono de apenas 300 x 550 ms, cercado por muralhas...
























Sendo todo o contorno marítimo do promontório, indicado pela fita azul, de difícil abordagem para atacantes. A ponta do promontório aponta o Oeste, e na direção das terras continentais para Leste ficava a muralha maior, com o portão principal; este portão, com uma porção da muralha, existe até hoje; é indicado no desenho pela direção que aponta o bico do ganso embaixo, com o acesso direto à praça maior, a mesma atual. Toda a muralha para Leste à direita no desenho foi desmontada para que a cidade se estendesse. De frente para o mar oeste, parte da muralha também preservada. O porto, que existe até hoje, ficava na enseada Norte, onde está uma caravela com velame arriado
















4) A questão da criminalidade só poderá ser resolvida com promoção social e transferência das populações nas megalópoles, mocambos e “comunidades”. O exercício troglodita da repressão e perseguiçãos aos pobres, somente alimenta a vingança dos filhos dos pobres nas gerações seguintes, eles se tornam bandidos como “heróis” independentes da sua gente... Todas as pessoas educadas sabem e sempre souberam disso no “Brasil”... O fascismo resulta de uma propaganda histérica para apagar este consenso, e agora é missão restaurar em toda parte a cultura nacional de miscigenação e “cordialidade” dos anos 50, quando as classes médias urbanas desistiram em menosprezar os descendentes indígenas e africanos, recebendo-os em casa alegremente como empregados. A cultura musical brasileira resulta em grande parte do “perdão” dos povos subjugados ao colonizador europeu...
O que está faltando aos povos proletarizados brasileiros é a Recompensa Econômica: Doação de terras, moradia, e organização da produção. No Rio de Janeiro as chamadas “comunidades” não são mais as favelas de pobres, são concentrações justamente em função das facilidades de consumo, aquisição de bens domésticos, diversão. E as madames gastronômicas abastecidas dos apartamentos de classe média atapetados com empregados e ar-condicionado também fazem parte do “inchaço” urbano... a forma do capitalismo concentrador criou os aglomerados esquizofrênicos. Só o Estado Nacional, com muito boa vontade e aparelhamento pode resolver isso.


Agenda Uruguaya



a praça mayor é cheia de charmes, cafés, museus, artesãos, professores universitários dando aulas-de-campo... é uma amostra de campo, uma região de pesquisas. você pode abrir uma praça uruguaya em sua própria residência.